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Bruno Moura Ferreira é natural de Mondim de Basto. Tem 31 anos e o seu currículo é já um exemplo para jovens e graúdos.
Licenciou-se em Comunicação e Multimédia na Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro, onde tirou também a pós-graduação em Gestão.
Integrou, na Comissão Europeia, uma equipa de 20 jovens consultores provenientes de toda a Europa. Juntos representaram uma voz dos jovens e para os jovens na área das novas tecnologias.
De salientar que o Bruno era o único português na equipa e foi, também, o único jovem a ser convidado para integrar noutros projetos ainda na Comissão Europeia.
A equipa de jovens consultores da qual o jovem mondinense fez parte, sugeriu à Comissão Europeia a criação da iniciativa «Code Week», que consiste em dedicar uma semana à programação. O objetivo é sensibilizar as populações para a importância das tecnologias da informação e comunicação.
A União Europeia abraçou a ideia tendo em conta que as competências de programação são fundamentais para que o continente não fique para trás na rota da inovação científica a nível mundial. A promoção das competências informáticas na Europa é também uma das estratégias para resolver um dos maiores desafios da Europa: o desemprego juvenil.
De salientar ainda que o número de empregos que exigem competências digitais continua a aumentar enquanto o número de estudantes, em toda a Europa, com a formação em ciência da computação está estagnado.
Desta forma, a primeira edição do evento ocorreu no ano passado e contou com 300 iniciativas em toda a Europa sendo que 4 aconteceram em Portugal, mais propriamente em Lisboa e no Minho.
Este ano a semana da programação obteve um impacto bastante maior, visto que em toda a Europa foram realizadas cerca de 2300 iniciativas, sendo que em Portugal foram 42.
Bruno explicou ao jornal Geração D’Ouro que «a programação é vista como sendo uma atividade exclusivamente para rapazes e nós pretendemos desmitificar esses aspetos porque é importante mostrar que é possível aprender a programar de forma divertida» e «não é uma atividade direcionada apenas para o sexo masculino».
Referenciou ainda a relevância desta matéria no âmbito do mercado de trabalho afirmando que «quem não tiver essa capacidade (de trabalhar com as tecnologias de informação) acaba por estar em desvantagem em termos competitivos, isto é algo que deve ser tido em consideração por parte dos mais jovens».
A equipa Geração D’Ouro levou Bruno Ferreira a um passeio pela cidade com o objetivo de conversar e também de reavivar as memórias de estudante do nosso entrevistado:

Quando teve o primeiro contacto com o mundo da política?

B.F. Surgiu aqui, na Universidade. Fui presidente no Núcleo de Estudantes de Comunicação e Multimédia, membro da assembleia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e ainda presidente da Mesa de Assembleia do Núcleo de Estudantes de Comunicação e Multimédia.

Sabemos que integra o «young advisers expert group», explique-nos em que consiste o projeto.

B.F. A ideia da criação do grupo surgiu da vice-presidente da Comissão Europeia que decidiu ter uma voz jovem na definição das suas políticas na área da agenda digital. As vantagens que ela viu na criação do grupo constituído por membros de vários países foi ter pessoas que gostassem de consultoria e permitir que eles próprios pudessem apresentar algumas iniciativas que fossem posteriormente postas em práticas, como foi o exemplo da code week.

Há quem o veja como representante da região transmontana por ter visibilidade a nível europeu, sente por isso uma responsabilidade acrescida?

B.F. Eu nunca escondi ou abdiquei das minhas raízes. Acho que quem respeita as suas raízes acaba por fazer um tributo à sociedade de onde surgiu. Eu tenho orgulho em ser transmontano. Portanto sempre valorizei a universidade onde estudei, procurei sempre manter contacto com a própria UTAD e, se olharem para mim como mais uma pessoa que pode representar Trás-os-Montes, ficarei orgulhoso e tentarei sempre que seja possível representar esta região da melhor maneira.

Embora seja uma presença frequente em Bruxelas, mantém-se ligado à política em Mondim de Basto?

B.F. A ligação não se resume apenas à presença física. Há laços muito fortes que me ligam á minha terra e continuarei sempre a procurar o melhor para Mondim. Continuarei, certamente, a fazer o que puder para contribuir para o seu desenvolvimento.

O que falta à nossa região?

B.F. Tal como as iniciativas de programação em que a experiência faz toda a diferença para a continuidade da aprendizagem e para a continuidade da descoberta, a região precisa de continuar a mostrar-se ao país e ao mundo porque somos ricos em vários recursos e temos que os saber aproveitar.
A universidade tem um papel preponderante no desenvolvimento de toda a região e esta interligação da UTAD e do tecido empresarial só tende a criar bons resultados. Até porque cada vez mais, no nosso percurso de formação, temos de estar atentos ao que o mercado necessita e temos que nos capacitar para o futuro.

*Entrevista do Jornal “Geração D’ouro” que pode ser visualizada aqui!

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