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CVP_A1796Sou de Basto e tenho orgulho. Orgulho na terra, nas pessoas, nas tradições e nos costumes. Orgulho nos aromas, no som e nos cheiros. Orgulho nas levadas, rios e ribeiros. Orgulho na montanha, nos vales e planícies. Orgulho nas romarias, feiras e mercados. Orgulho no mosteiro, no castelo, nos santuários e nas igrejas. Orgulho nas pontes, estradas e caminhos. Orgulho em ser de onde sou.

Quem Somos? De Onde Viemos? Para Onde Vamos? São as três perguntas que inquietam a humanidade desde o seu surgimento. Tudo tem uma origem e defendo que perante a nossa temos uma responsabilidade redobrada: devemos contribuir para a sua preservação e desenvolvimento sustentáveis. Devemos unir esforços para melhorar a herança que nos é confiada de geração em geração.

Ter orgulho não significa que está tudo bem, mas aumenta a responsabilidade em encarar a realidade tal como ela é, ao natural, sem filtros ou ações de distração.

Na genuína defesa da nossa terra é difícil não se ser tendencioso, a emoção por vezes supera a razão, o coração aproxima-se da boca e facilmente afirmamos em tom convincente que o nosso berço é a melhor terra do mundo.

Não podemos no entanto desvirtualizar aquela que é a realidade. Uma coisa é o que gostaríamos ou queremos parecer ser ou fazer, outra é o que realmente somos. E a realidade, por mais dura que possa ser, não deve nem pode ser ofuscada ou alterada, sob pena de vivermos sobre uma virtualidade.

Quando vejo nos meios de comunicação social a nossa terra ser notícia pelos piores motivos o meu orgulho fica ferido. Não culpo quem denuncia ou publica, vivemos numa democracia que garante a liberdade de expressão. Aliás, e não poucas vezes, são estes atos que proporcionam e apressam soluções para os problemas. Culpo sim quem permite que estas situações aconteçam.

A melhor manifestação de amor à terra não é calar, ofuscar ou consentir situações menos corretas ou até impróprias, mas sim preservar e evitar que essas situações aconteçam. Por mais importante que seja a imagem externa de um território, não podemos permitir que essa importância se sobreponha aos interesses de quem vive nele.
Se uma imagem positiva, e a forma como nos vêm, é um importante meio de valorização do território, de que vale essa imagem se não o preservamos ou proporcionamos uma melhoria de qualidade de vida a quem nele habita. A prioridade deve permanecer nas pessoas, em quem já cá vive, quem dá diariamente a alma à terra, os seguidores da vida real que gostam acima de tudo da sua terra.

Não podemos “embarcar” numa estratégia de responsabilização invertida, onde se tenta responsabilizar quem, através do exercício livre e democrático, denuncia e não quem tem a verdadeira responsabilidade da realidade.

Não podemos ficar solidários e incrédulos com os atentados à liberdade de expressão, que acontecem por esse mundo fora, e depois, entre portas, recriminar ou manifestar desacordo a quem, através do seu direito ou dever, torna público situações de má gestão pública.

Somos aquilo que fazemos e Viemos de uma região cheia de desafios, Vamos assumir com seriedade as nossas responsabilidades e contribuir para a sua preservação e desenvolvimento sustentáveis.

*Artigo de Opinião publicado no Jornal “O Basto”

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